terça-feira, abril 23

olhos cor de ocre.

Postado por Ariana Fernandes às 20:34

Não é de fogo. Nem de leão. São olhos de ressaca.

Tenho uma dor presa no estômago.
Enquanto eu fiquei presa naquele abraço sem-graça.

Coisas sentidas, porém não ditas. Foi mais ou menos assim que foi feita a caixa que entregaram a Pandora.
Profano o silêncio com palavras que te fiz, mas não te dou.

Nessa noite o céu resolveu chorar todas as lágrimas que insistiam em não cair dos meus olhos. Tinha apenas uma certeza na vida, mas agora começava a questiona-lá. Vale a pena continuar acreditando? Me aproximei dele como quem se aproxima de um passarinho. Machucado. Quando na realidade, por pura cegueira, não vi. E logo eu, domadora de leões, fui devorada. E ele nem pra digerir. Se ao menos tivesse dito alguma coisa, mas não teve coragem. Só pousou o olhar no meu, como passarinhos que pousam no fio antes de voar. Deixo o modernismo para essas meninas que desabam em camas alheias mendigando por uma migalha daquilo que não mata minha fome. Bem faz o tempo em descobrir detalhes. Sem oi, sem tchau, sem coisas feitas ou a fazer. Apenas a sua voz. O seu "é verdade".  Um carinho que não ultrapassa a derme sempre se vai junto às células mortas. Se não for para marcar a ferro e a fogo, que sentido há? Se não for pra ser intenso, que não seja nada. No fundo o que todo mundo quer é uma certeza. E certeza, fora da matemática, é só uma palavrinha com o som bonito mas que não prova nada.

Mas, eu gravei a expressão do riso. O som do riso. A leveza do riso. O porque do riso.

Tento contrariar as leis do que sinto, eu me divido. É nesse ponto que sou duo. E não há poesia que me faça diferente. Não minto. Na verdade, sinto. Abri a boca e libertei a palavra que seria de mim o maior pecado. Eu penso em você! Disposta e verdadeira fui ao fundo e me entreguei a esmo às palavras dos poetas. Fostes tu um papel e eu pudesse rasgá-lo em pedaços, fosse esta porta trancada e não simplesmente encostada, à espera de que possas empurrá-la, fosse este um quarto sem janelas por onde os ventos não me sussurrassem este aviso sem palavras, eu já teria encerrado este monólogo louco. Enquanto isso, os fios invisíveis do destino teciam seus bordados naquele incontornável  pano negro de fundo.  Aonde os fins não eram um ponto final absoluto. Era, antes, o começo de tudo.


Ovindo Chicas ali.

1 comentários:

Unknown on 6 de maio de 2013 14:03 disse...

Sem condições de tecer algum comentário... Me sinto uma formiga diante de tanta sensibilidade e lirismo!