segunda-feira, setembro 23

Nerdice Metalinguística

Postado por Ariana Fernandes às 01:07 0 comentários
Há uma linha tênue entre ilusão e realidade.
Homens podem sim voar
só não digam que isso parte de uma mente doentia.
Em clínicas há jardins.
Pássaros.
Borboletas.
O céu de Ícaro tem mais poesia que o de Galileu.
Ícaro, maluco, espera por mim.
Escrevo nos ares
com a tinta invisível dos sonhos.
Poderia escrever no teu corpo
aí dava pra apagar com a língua.
E eu faço questão de errar.
Tenho uma dupla personalidade
entre a ruiva boazinha e a Fênix.
Dupla personalidade = Esquizofrenia
Seria melhor se a gente pudesse viver o gibi...
Wolverine que era macho, man.

domingo, setembro 15

Foice

Postado por Ariana Fernandes às 21:58 0 comentários
Meu corpo tá te expurgando
Vômito
Febre
Suor
Você está saindo de mim
Por cada poro
onde antes havia plantado uma flor.
Meu coração sangra
E você, e rímel
escorrem por meu rosto.
Eu queria saber cruzar o seu deserto frio e lógico
Mas meu estômago ronca
E eu tô com fome de horizonte.
Eu odeio. E amo.
E odeio todas essas confusões bem resolvidas.
A solidão não é o mal dos séculos
Disto é a frieza responsável
Os pássaros migram no inverno...
É um outro dia.
É uma outra noite.
E eu choro.
E eu vomito.

quarta-feira, setembro 11

E por falar em saudade...

Postado por Ariana Fernandes às 22:50 1 comentários


Traz teu mar pro interior do meu sertão
Porque eu acho que é
motivo, razão, resposta
Tão eu fora de mim
E no final é só o que importa.
Né?
Ou não?
Quem, além de nós, poderá saber?
Se sou eu que amo teu caos
E o modo pateticamente lindo que você dança
E a pressão que a sua 'saboneteira' faz no meu rosto
quando eu quero me perder no seu abraço,
sem perceber que já me perdi
nos teus olhos
no teu sorriso
na tua voz
broto
maluco
O Meu Bem.
Se sou eu
(e só eu)
que não consigo dormir
imaginando...
E Vinicius não ajuda
Dizendo no meu ouvido o que sentir
Na noite, nos bares
Onde anda você?


sábado, setembro 7

pra você dar o nome

Postado por Ariana Fernandes às 21:18 1 comentários
eu não queria saber.
não queria!
nunca tinha pensando
em teu sorriso
emaranhado em outro sorriso
porque, desde a primeira vez 
que te vi
te quis
e desde então
você leva meu querer 
em teu bolso

sexta-feira, julho 19

bonfim

Postado por Ariana Fernandes às 00:02 0 comentários
Por fim sobraram alguns poucos cigarros sujos, uma vodka escondida no guarda-roupa e algumas palavras aprisionadas. O que tenho de melhor são elas: as palavras. Mas não as uso sempre. Guardo-as dentro de um quarto escuro, com a porta trancada e sem nenhuma janela. As vezes, vou até esse quarto e me tranco lá dentro. Eu e as palavras. Reviro-as, e vejo as que mais me agradam. Elas me dizem boas ilusões. E quase acredito no que elas insistem em sussurrar no meu ouvido. Ali, dentro desse quarto, sou o que quero ser. Sedenta pelo vício de ser tudo, sou rica de poesia. Sou o amor perdido. Sou o verso indeciso. Os cinzeiros cheios e o copo de bebida vazia. Sou a moça que chora na esquina. A mentira contada no pé do ouvido. A voz que grita no telefone. Sou o bandido sedento por roubar amor. Sou o desespero e principalmente o caos. Sou ninguém, e ao mesmo tempo sou todo mundo. Sou inclusive Você. Com seus fantasmas, e sua dor baixinha entre os cobertores na madrugada vazia. Sou o seu trabalho, as suas frases feitas, o ar que você respira e a sua insônia. Você é as cores e eu sou o cinza que te mancha. Ou vice-versa. Sou a sua música preferida, a sua nostalgia. Sou você, e você sou eu. Em frações de segundos você não é nada além de mim e eu sou tudo. Eu sou o mundo. Sou o texto, e sou a mão manchada de tinta esfregando um vocabulário imundo na cara de quem lê. E através desse quarto onde guardo essas palavras, sou nada além de alguém com alguns poucos cigarros sujos, um resto de vodka, algumas palavras aprisionadas e alguns passos pra lugar nenhum. Sou também o fim.


Enfim...

domingo, abril 28

Postado por Ariana Fernandes às 19:49 2 comentários

Eu não vou dizer o que eu quero dizer
Pois não cabe

Mas não vou me calar
É madrugada

[...]

Foi só você sorrir
e eu aprendi a torcer
e enlouquecer quando é jogo do Timão

Foi só você sorrir
pra fazer o mundo parar de girar
em um show do Cabruêra

Foi só você sorrir...

Eu vou buscar a lua
pra combinar com as duas estrelas dos teus olhos
É só você sorrir

Vou segurar tua mão com tanta força
pra ninguém nunca mais ter que partir
É só você sorrir

Vou decorar esses versinhos pobres
e escrever na tua porta com giz
É só você sorrir

É só você sorrir...

terça-feira, abril 23

olhos cor de ocre.

Postado por Ariana Fernandes às 20:34 1 comentários

Não é de fogo. Nem de leão. São olhos de ressaca.

Tenho uma dor presa no estômago.
Enquanto eu fiquei presa naquele abraço sem-graça.

Coisas sentidas, porém não ditas. Foi mais ou menos assim que foi feita a caixa que entregaram a Pandora.
Profano o silêncio com palavras que te fiz, mas não te dou.

Nessa noite o céu resolveu chorar todas as lágrimas que insistiam em não cair dos meus olhos. Tinha apenas uma certeza na vida, mas agora começava a questiona-lá. Vale a pena continuar acreditando? Me aproximei dele como quem se aproxima de um passarinho. Machucado. Quando na realidade, por pura cegueira, não vi. E logo eu, domadora de leões, fui devorada. E ele nem pra digerir. Se ao menos tivesse dito alguma coisa, mas não teve coragem. Só pousou o olhar no meu, como passarinhos que pousam no fio antes de voar. Deixo o modernismo para essas meninas que desabam em camas alheias mendigando por uma migalha daquilo que não mata minha fome. Bem faz o tempo em descobrir detalhes. Sem oi, sem tchau, sem coisas feitas ou a fazer. Apenas a sua voz. O seu "é verdade".  Um carinho que não ultrapassa a derme sempre se vai junto às células mortas. Se não for para marcar a ferro e a fogo, que sentido há? Se não for pra ser intenso, que não seja nada. No fundo o que todo mundo quer é uma certeza. E certeza, fora da matemática, é só uma palavrinha com o som bonito mas que não prova nada.

Mas, eu gravei a expressão do riso. O som do riso. A leveza do riso. O porque do riso.

Tento contrariar as leis do que sinto, eu me divido. É nesse ponto que sou duo. E não há poesia que me faça diferente. Não minto. Na verdade, sinto. Abri a boca e libertei a palavra que seria de mim o maior pecado. Eu penso em você! Disposta e verdadeira fui ao fundo e me entreguei a esmo às palavras dos poetas. Fostes tu um papel e eu pudesse rasgá-lo em pedaços, fosse esta porta trancada e não simplesmente encostada, à espera de que possas empurrá-la, fosse este um quarto sem janelas por onde os ventos não me sussurrassem este aviso sem palavras, eu já teria encerrado este monólogo louco. Enquanto isso, os fios invisíveis do destino teciam seus bordados naquele incontornável  pano negro de fundo.  Aonde os fins não eram um ponto final absoluto. Era, antes, o começo de tudo.


Ovindo Chicas ali.