domingo, abril 28

Postado por Ariana Fernandes às 19:49 2 comentários

Eu não vou dizer o que eu quero dizer
Pois não cabe

Mas não vou me calar
É madrugada

[...]

Foi só você sorrir
e eu aprendi a torcer
e enlouquecer quando é jogo do Timão

Foi só você sorrir
pra fazer o mundo parar de girar
em um show do Cabruêra

Foi só você sorrir...

Eu vou buscar a lua
pra combinar com as duas estrelas dos teus olhos
É só você sorrir

Vou segurar tua mão com tanta força
pra ninguém nunca mais ter que partir
É só você sorrir

Vou decorar esses versinhos pobres
e escrever na tua porta com giz
É só você sorrir

É só você sorrir...

terça-feira, abril 23

olhos cor de ocre.

Postado por Ariana Fernandes às 20:34 1 comentários

Não é de fogo. Nem de leão. São olhos de ressaca.

Tenho uma dor presa no estômago.
Enquanto eu fiquei presa naquele abraço sem-graça.

Coisas sentidas, porém não ditas. Foi mais ou menos assim que foi feita a caixa que entregaram a Pandora.
Profano o silêncio com palavras que te fiz, mas não te dou.

Nessa noite o céu resolveu chorar todas as lágrimas que insistiam em não cair dos meus olhos. Tinha apenas uma certeza na vida, mas agora começava a questiona-lá. Vale a pena continuar acreditando? Me aproximei dele como quem se aproxima de um passarinho. Machucado. Quando na realidade, por pura cegueira, não vi. E logo eu, domadora de leões, fui devorada. E ele nem pra digerir. Se ao menos tivesse dito alguma coisa, mas não teve coragem. Só pousou o olhar no meu, como passarinhos que pousam no fio antes de voar. Deixo o modernismo para essas meninas que desabam em camas alheias mendigando por uma migalha daquilo que não mata minha fome. Bem faz o tempo em descobrir detalhes. Sem oi, sem tchau, sem coisas feitas ou a fazer. Apenas a sua voz. O seu "é verdade".  Um carinho que não ultrapassa a derme sempre se vai junto às células mortas. Se não for para marcar a ferro e a fogo, que sentido há? Se não for pra ser intenso, que não seja nada. No fundo o que todo mundo quer é uma certeza. E certeza, fora da matemática, é só uma palavrinha com o som bonito mas que não prova nada.

Mas, eu gravei a expressão do riso. O som do riso. A leveza do riso. O porque do riso.

Tento contrariar as leis do que sinto, eu me divido. É nesse ponto que sou duo. E não há poesia que me faça diferente. Não minto. Na verdade, sinto. Abri a boca e libertei a palavra que seria de mim o maior pecado. Eu penso em você! Disposta e verdadeira fui ao fundo e me entreguei a esmo às palavras dos poetas. Fostes tu um papel e eu pudesse rasgá-lo em pedaços, fosse esta porta trancada e não simplesmente encostada, à espera de que possas empurrá-la, fosse este um quarto sem janelas por onde os ventos não me sussurrassem este aviso sem palavras, eu já teria encerrado este monólogo louco. Enquanto isso, os fios invisíveis do destino teciam seus bordados naquele incontornável  pano negro de fundo.  Aonde os fins não eram um ponto final absoluto. Era, antes, o começo de tudo.


Ovindo Chicas ali.

segunda-feira, abril 22

Compasso

Postado por Ariana Fernandes às 20:29 1 comentários
Tic Tac Tic Tac

Observo
os teus passos compassados
Um segundo, um tic
Mais um, um tac
Bem ali, só o eco da batida
Verdade?

Tum Tum Tum Tum Tum Tum

- Alô?
-Tá ocupado!
- Então tá, amigo...

Tum Tum Tum Tum Tum

Será sempre meio metade?
Entrego-me ao tempo

Tic Tac Tic Tac Tic Tac

[...]

quarta-feira, abril 17

tão louco quanto sempre fui

Postado por Ariana Fernandes às 22:38 0 comentários
O cigarro acabou ao mesmo tempo do capitulo 10 daquele livro

Eu tô ficando louca
E nem posso dizer que a culpa é daquele puto...
A paixão me enlouquece um pouquinho todo tempo.
Engraçado como eu sempre acabo absorvendo um pouco do autor que eu tô lendo
Fui até a cozinha e preparei uma dose de scotch
Eu tô ficando louca. E a culpa é daquele puto
Do autor. Não do rapaz.

Não do rapaz...

De olhos que me sorriem moleques
Em um rosto de uma expressão tão madura
Em um rosto de uma expressão tão infantil
Ele é um universo
E um dos meus sonhos de criança era ser astronauta.
(além de princesa. heroína. pirata. sonhadora.)
Sonhadores.
Então crescemos, para o mundo exterior
Então crescemos, em nós
E, contrariando todas as leis da astronomia,
o mundo gira com a única finalidade de que os universos se choquem
Mais uma vez.

Mais uma vez...

E,

Postado por Ariana Fernandes às 22:34 1 comentários
Uma quase sábado, um quase fim de ano, chuva fininha, gente indo e vindo, buzina, carro e qualquer caos urbano distante de nós dois. Aqui dentro, um restinho de você. Uma sombrinha de tua educação fingida, umas gotas pingadas de sonhos tolos e qualquer lembrança vaga do seu riso. Nem tanto la fora e muito menos aqui dentro. Conversa mole, café, quinquilharia verbais, jeans surrado, tempo bom ao frio e vento. E você me pergunta se eu estou cansada pra sair com você? cansada, eu? Imagina. Sou inesgotável. Passei o dia inteiro tentando me livrar de sérios problemas, papelada chata e de qualquer lembrança tola que trouxesse você de volta. E tudo isso pouco te importa. E seu cabelo fica melhor despenteado. E você, culpando o vento. E eu, aceitando suas desculpas. Eu aqui, corpo aberto, esperando o abraço e você falando pelos cotovelos. Que tal o silêncio e uma carona cheia de desejos? E você me olha cheio de vontade, como quem mendiga por um pedaço de pão. E eu só tenho vinho. E quanto tempo será preciso pra se viver exato o tempo inteiro? E são tantas as perguntas que me perdôo diante do seu movimento preciso. As horas martelam o relógio e continuo interrogativa. Me assumo e desisto das respostas. 

Odeio flerte e a vadiagem do lenga lenga do não dizer, do parar numa esquina qualquer pra não se molhar na chuva. Olha, vou pra casa, tomar um banho, usar outro sabonete, outro perfume, outro batom e ai você vai ver a minha outra face. Uma que você nunca viu. E pronto. Novinha em folha. Com outros cheiros, outros sabores, ensaiando outros sorrisos, outras metáforas. 

Há escolhas. E essa é a minha.

domingo, abril 14

sobre não ser comida pelos Bantos

Postado por Ariana Fernandes às 14:27 0 comentários
Eu existo.
Você existe.
E existir é toda a beleza do universo.
É onde reside a felicidade de Pequena Flor.

terça-feira, abril 2

Sem Título

Postado por Ariana Fernandes às 14:49 0 comentários
Brincadeiras bobas, e palavras casuais
- Vem, a vista lá de cima é mais bonita!
Nem chegaram até lá em cima,
Os pés já se encontram meio que sem querer,
e os pêlos do braço dele fazem aquela leve cócega ao encontrar os dela.
-Vem!
Ele a toma pela mão e a guia
Transboradaram.
Talvez porque no escuro a nudez é menos crua.
e num repente,
os olhos quase sempre mudos esparramaram poesia pelo chão.


Nomeei-lhe assim
Desta coisa sem nome
Pois não tinha título algum
Que pudesse lhe dar
Rabisquei-lhe uns traços
E lhe fiz de balbucias em verbos
Uns versos sem honras
Sem título ou mérito
Só pra não perder o hábito
De me desfazer
Em letras e pontos e riscos

caos

Postado por Ariana Fernandes às 14:47 0 comentários
PAZ!
Eu quero paz...
Tarde de Domingo ensolarada
Cheiro de café
Bolo quentinho saindo do forno
Cafuné...

PAZ?!
Risos em cada esquina
e só a lua é testumunha
Um passo de tango mal elaborado no meio fio

[...]

Silêncio.
Frio.
Wisky barato e música de fossa.
E ainda me pedem pra escrever?
Homenagear o amor em uma festa da sociedade?
Eu?
Cão sarnento, sem teto e sem tento.

"As velhinhas me detestam"

E tudo que me resta é o lero com a lata de biscoitos.
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Medo

Postado por Ariana Fernandes às 14:46 0 comentários
de Fabrício Carpinejar

"Você tem medo de se apaixonar. Medo de sofrer o que não está acostumada. Medo de se conhecer e esquecer outra vez. Medo de sacrificar a amizade. Medo de perder a vontade de trabalhar, de aguardar que alguma coisa mude de repente, de alterar o trajeto para apressar encontros. Medo se o telefone toca, se o telefone não toca. Medo da curiosidade, de ouvir o nome dele em qualquer conversa. Medo de inventar desculpa para se ver livre do medo. Medo de se sentir observada em excesso, de descobrir que a nudez ainda é pouca perto de um olhar insistente. Não suportar ser olhada com esmero e devoção. Nem os anjos, nem Deus aguentam uma reza por mais de duas horas. Medo de ser engolida como se fosse líquido, de ser beijada como se fosse líquen, de ser tragada como se fosse leve. Você tem medo de se apaixonar por si mesma logo agora que tinha desistido de sua vida. Medo de enfrentar a infância, o seio que criou para aquecer as mãos quando criança, medo de ser a última a vir para a mesa, a última a voltar da rua, a última a chorar. Você tem medo de se apaixonar e não prever o que pode sumir, o que pode desaparecer. Medo de se roubar para dar a ele, de ser roubada e pedir de volta. Medo de que ele seja um canalha, medo de que seja um poeta, medo de que seja amoroso, medo de que seja um pilantra, incerta do que realmente quer, talvez todos em um único homem, todos um pouco por dia. Medo do imprevisível que foi planejado. Medo de que ele morda os lábios e prove o seu sangue. Você tem medo de oferecer o lado mais fraco do corpo. O corpo mais lado da fraqueza. Medo de que ele seja o homem certo na hora errada, a hora certa para o homem errado. Medo de se ultrapassar e se esperar por anos, até que você antes disso e você depois disso possam se coincidir novamente. Medo de largar o tédio, afinal você e o tédio enfim se entendiam. Medo de que ele inspire a violência da posse, a violência do egoísmo, que não queira repartir ele com mais ninguém, nem com seu passado. Medo de que não queira se repartir com mais ninguém, além dele. Medo de que ele seja melhor do que suas respostas, pior do que as suas dúvidas. Medo de que ele não seja vulgar para escorraçar mas deliciosamente rude para chamar, que ele se vire para não dormir, que ele se acorde ao escutar sua voz. Medo de ser sugada como se fosse pólen, soprada como se fosse brasa, recolhida como se fosse paz. Medo de ser destruída, aniquilada, devastada e não reclamar da beleza das ruínas. Medo de ser antecipada e ficar sem ter o que dizer. Medo de não ser interessante o suficiente para prender sua atenção. Medo da independência dele, de sua algazarra, de sua facilidade em fazer amigas. Medo de que ele não precise de você. Medo de ser uma brincadeira dele quando fala sério ou que banque o sério quando faz uma brincadeira. Medo do cheiro dos travesseiros. Medo do cheiro das roupas. Medo do cheiro nos cabelos. Medo de não respirar sem recuar. Medo de que o medo de entrar no medo seja maior do que o medo de sair do medo. Medo de que a alegria seja apreensão, de que o contentamento seja ansiedade. Medo de não soltar as pernas das pernas dele. Medo de soltar as pernas das pernas dele. Medo de convidá-lo a entrar, medo de deixá-lo ir. Medo da vergonha que vem junto da sinceridade. Medo da perfeição que não interessa. Medo de machucar, ferir, agredir para não ser machucada, ferida, agredida. Medo de estragar a felicidade por não merecê-la. Medo de não mastigar a felicidade por respeito. Medo de passar pela felicidade sem reconhecê-la. Medo do cansaço de parecer inteligente quando não há o que opinar. Medo de interromper o que recém iniciou, de começar o que terminou. Medo de faltar as aulas e mentir como foram. Medo do aniversário sem ele por perto, dos bares e das baladas sem ele por perto, do convívio sem alguém para se mostrar. Medo de enlouquecer sozinha. Não há nada mais triste do que enlouquecer sozinha. Você tem medo de já estar apaixonada."