sábado, dezembro 16

Postado por Ariana Fernandes às 10:44 0 comentários
Traguei o cigarro vagarosamente, enquanto me divertia com o jeito que aqueles olhos escuros caiam sobre mim. Ele que sempre esteve ali. Eu que sempre estive ali também. Nós que nunca estivemos.

- Você é um totem da liberdade. Quando penso em leveza de alma digna dos passarinhos, sorrio. Porque penso em ti. – Ele falou.

Um bem-te-vi cantou na copa daquela árvore. A menina da mesa ao lado deu uma gargalhada. Uma mosca caiu no meu café. O tempo em câmera lenta. O passar dos dias. Dos anos. A violência do tráfego. A escuridão das noites vazias. O moço que dormia no banco da praça. A vida escorrendo entre meus dedos. Aquele cara legal do olhar gentil tirando uma balada antiga no violão. A margarida que aquela moça enroscou nos meus cabelos. O peito quente abrigo de viagem na aula de filosofia. O colo de onde não se espera. O amigo que surgiu do desejo. O carinho e a parceria que hão de durar. Em contrapartida, há 231km daquela mesa, do meu cigarro, do meu medo, da minha insegurança, do desejo de ficar e a necessidade de partir, daquela que fica sempre, até quando parte, fica, meu coração se estilhaçando em um milhão de cacos. Virando poeira espacial.

- Liberdade também é ninho – respondi.

Mas através do meu rosto impassível, ninguém reparou nada.

segunda-feira, maio 15

Postado por Ariana Fernandes às 17:39 0 comentários
Os cabelos caindo em cascata pelas costas, o cheiro doce do perfume misturado com cigarros, ah! aquelas curvas perigosas... O coração silvestre que batia naquele corpo nunca serviria-me de bússola, seu ritmo fazia com que eu me perdesse em minha própria inconstância. Como um cristão que pisa em solo sagrado, pedi permissão para tomar aquele corpo.
Sorriu, e me beijou, e se entregou a meu bel prazer.
Não se oferece o pescoço a uma vampira, garota!
O cheiro, como imã, me fez ser inteira língua e dedos. Afoguei-me em mel proibido. Revirando os olhos ela suspirava. E suspirando, tomava meu coração e escondia dentro de si. Como gata dengosa veio esfregar-se em meu colo.
Gozei.
Gozamos
Dormiu bela e nua nos meus braços.

Poucas vezes cedi ao fértil impulso de ir embora, até a noite subita que meus pés decidiram fazê-lo por conta própria. As coisas nunca obedeciam a uma ordem cronologica específica. E já não sei dizer o quanto as pontas daquelas intrincadas raízes de lembranças cresciam no solo da realidade ou da fantasia.

Será que você ainda pensa em mim?