segunda-feira, maio 15

Postado por Ariana Fernandes às 17:39 0 comentários
Os cabelos caindo em cascata pelas costas, o cheiro doce do perfume misturado com cigarros, ah! aquelas curvas perigosas... O coração silvestre que batia naquele corpo nunca serviria-me de bússola, seu ritmo fazia com que eu me perdesse em minha própria inconstância. Como um cristão que pisa em solo sagrado, pedi permissão para tomar aquele corpo.
Sorriu, e me beijou, e se entregou a meu bel prazer.
Não se oferece o pescoço a uma vampira, garota!
O cheiro, como imã, me fez ser inteira língua e dedos. Afoguei-me em mel proibido. Revirando os olhos ela suspirava. E suspirando, tomava meu coração e escondia dentro de si. Como gata dengosa veio esfregar-se em meu colo.
Gozei.
Gozamos
Dormiu bela e nua nos meus braços.

Poucas vezes cedi ao fértil impulso de ir embora, até a noite subita que meus pés decidiram fazê-lo por conta própria. As coisas nunca obedeciam a uma ordem cronologica específica. E já não sei dizer o quanto as pontas daquelas intrincadas raízes de lembranças cresciam no solo da realidade ou da fantasia.

Será que você ainda pensa em mim?

domingo, dezembro 4

Entre Caios

Postado por Ariana Fernandes às 09:18 0 comentários

Chovia, chovia, chovia e eu ia indo por dentro da chuva ao encontro dele, sem guarda-chuva nem nada, eu sempre perdia todos pelos bares, só levava uma garrafa de conhaque barato apertada contra o peito, parece falso dito desse jeito, mas bem assim eu ia pelo meio da chuva, uma garrafa de conhaque na mão e um maço de cigarros molhados no bolso. Teve uma hora que eu podia ter tomado um táxi, mas não era muito longe, e se eu tomasse um táxi não poderia comprar cigarros nem conhaque, e eu pensei com força então que seria melhor chegar molhado da chuva, porque aí beberíamos o conhaque, fazia frio, nem tanto frio, mais umidade entrando pelo pano das roupas, pela sola fina esburacada dos sapatos, e fumaríamos beberíamos sem medidas, haveria música, sempre aquelas vozes roucas, aquele sax gemido e o olho dele posto em cima de mim, ducha morna distendendo meus músculos. Mas chovia ainda, meus olhos ardiam de frio, o nariz começava a escorrer, eu limpava com as costas das mãos e o líquido do nariz endurecia logo sobre os pêlos, eu enfiava as mãos avermelhadas no fundo dos bolsos e ia indo, eu ia indo e pulando as poças d'água com as pernas geladas. Tão geladas as pernas e os braços e a cara...

Eu sou uma imensa bola rompedora. Eu sou uma imensa bola de demolição imersa num caos de relacionamentos e casos. Eu sou quem destrói e o que resta da destruição. Eu sou quem transforma o mundo em ruínas e o que sobre dos destroços. Eu sou uma granada pronta que se arma sozinha ou por vezes me armam. Me balançam livremente. Derrubo. Desmonto. Me amarram e me sufocam. Explodo.

Eclode: destruo aqui dentro também.

Eu sou esse estouro barulhento em meio a um começo calmo de algo que não deixo durar. Eu sou um grito desesperado de sangrar a garganta e fazer estourar os tímpanos e que desencadeia um coração veloz, a ponto de queimar o asfalto do peito. Eu sou uma detonação bonita e que causa encantamento e chama, convida. Eles desejam e elas admiram. É preciso ter um caos dentro de si para dar à luz uma estrela bailarina.

Eu me entrego. Abro os braços. Abro as letras, lábios, pernas, coração e abro o barril de pólvora e logo no meio de um beijo ou sexo fogo ou briga com faíscas eu explodo tudo. Minha boca explode a cabeça dele e os lábios dela: os de baixo. Explode de um jeito bom, estronda prazer. Daí eu começo. Não quero. Me perco. Sufoco. Quebro.
Não é aqui o meu lugar.

O mundo já caiu, baby, só nos resta dançar sobre os destroços.

Eu me sentia como a Terra no instante em que o planeta viajante a atingiu, e agora tudo é silêncio. nada é sobre escapar, tudo é sobre aceitação.
Eu nunca tive medo de morrer, eu sempre tive medo de ser má.
De estar tão triste a ponto de não enxergar você.
E é nesse lugar que estou agora, andando nessa linha tênue.
Tentando não esquecer a humanidade dos outros por não estar plenamente consciente da minha.

Eu leria cada palavra que você escrevesse se elas estivessem em um livro. Eu visualizaria inúmeras vezes tuas performances embaixo do chuveiro se elas estivessem disponíveis no youtube. Eu compraria o som da tua risada se vendesse no itunes. Eu pararia para admirar cada uma de tuas fotos se elas estivessem expostas em uma galeria de arte. Eu ficaria encantada com qualquer escultura feita por você com o lixo do teu apartamento se estivessem em um museu contemporâneo. Eu compraria o teu cheiro se ele estivesse dentro de um frasquinho numa perfumaria por aí. Eu teria te pedido para ficar se eu soubesse que você não voltaria. Eu teria implorado pra você deixar sua escova de dentes azul - que combinava com a minha cor-de-rosa -, se eu soubesse que jamais te teria ali de novo. Confiei nas nossas idas e vindas como quem acredita na cura para o câncer. E sem saber, o teu sistema imunológico acabou com o vírus da nossa relação contagiosa e eu morri. Como quem perde as esperanças e prefere se arriscar num bote pelo mar Mediterrâneo. Você era o outro lado da costa, mas no seu bote imaginário não havia espaço para mim e para as minhas crises, loucuras, falta de ar. E você me deixou numa noite de sábado às 2 da manhã e eu me senti como uma refugiada que não sabia nadar. Morri afogada nas minhas próprias lágrimas enquanto você escolhia os dias de sol. Eu venderia meu orgulho no mercado livre se eu soubesse que seria o suficiente para te trazer de volta pra mim. Eu esperaria salvação aqui, no chão frio do meu quarto, se eu soubesse que você voltaria.

Mas ia indo pela chuva porque esse era meu único sentido, meu único destino: bater naquela porta escura onde eu batia agora. E bati, e bati outra vez, e tornei a bater, e continuei batendo sem me importar que as pessoas na rua parassem para olhar, eu quis chamá-lo, mas tinha esquecido seu nome, se é que alguma vez o soube, se é que ele o teve um dia, talvez eu tivesse febre, tudo ficara muito confuso, idéias misturadas, tremores, água de chuva e lama e conhaque batendo e continuava chovendo sem parar, mas eu não ia mais indo por dentro da chuva, pelo meio da cidade, eu só estava parado naquela porta fazia muito tempo, depois do ponto, tão escuro agora que eu não conseguiria nunca mais encontrar o caminho de volta, nem tentar outra coisa, outra ação, outro gesto além de continuar batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, na mesma porta que não abre nunca.

segunda-feira, janeiro 26

Poeminha nerd do dia

Postado por Ariana Fernandes às 21:37 0 comentários
Sabe, não importa se você não souber me explicar
e, finalmente,  me fazer entender
a saga da Fênix Negra.
Não importa que você seja um nerd que entenda 
de todos os quadrinhos

embora nunca tenha ouvido falar em BlueNote.
Não quero saber se você prefere a Dc ou a Marvel.
Apesar de me importar um pouquinho com cada uma dessas coisas.
Se sorriso me importa mais.

Não tô nem aí se você sabe a distância entre Mordor e Isengard.
E não me importo se você sabe a diferença das duas torres.
Eu não quero saber se você vai comer lembas.
Ou o pernil mais suculento.
Não quero nem imaginar se você é Sith ou Jedi.
Muito menos se de repente decidiu se tornar rebelde.
Não quero nem cogitar a possibilidade
de você ter destruido a estrela da morte.
(embora eu espere muito que tenha)

Para mim você é cavaleiro-errante reluzente,
Um guerreiro.
É mago ou telepata,
mutante também... Quem sabe?
Tavez ogro ou mercenário.
De uma coisa eu sei,
o Peter Parker é lindo
e você também!

domingo, janeiro 25

Carolina

Postado por Ariana Fernandes às 11:49 0 comentários


Os meus olhos fundos
guardam tanta dor
a dor de todo esse mundo.

Um passaro azul depressivo
que se encolhe em sua gaiola-coração
por medo de voar.
Ele voava.
E cantava.
E era suficiente para fazer um homem chorar.
Mas eu não choro mais. E você?

Houve uma época que era brisa fresca
e poesia.
Mas de repente
não mais que de repente
Foice.
E fuga.
E sangue.
todapartesangue.

O tempo passa na janela, Carolina.
E é hora de voltar a florir.
Põe teu vestido estampado
cheirando a guardado
e vai pra rua sambar.

domingo, abril 20

Ascendente em Peixes

Postado por Ariana Fernandes às 14:44 0 comentários
Tudo começou com uma caneca caindo ao chão e se partindo em mil pedaços
De repente começou a chover
Não era uma chuva bonita e doce
Dessas em que se corre pelo jardim
Meio correndo, meio voando
E depois
Com cobertor e café
Se encolhe na varanda para assistir o arco-irís
Não.
Não era dessas.
Era daquelas
Com trovões e crianças escondidas embaixo da cama
E eu falei:
"não vai agora.
Não me deixa aqui.
Pela chuva, e os trovões, e as crianças
Não vai."
Mas ele não escutou
E saiu batendo os pés em direção ao sol.

sábado, março 8

carna(va)l

Postado por Ariana Fernandes às 14:11 0 comentários
Se soltar o meu querer
na rodoviária sozinho
sozinho ele encontra o caminho
da tua casa.

Se deixar o meu querer
ele vai fazer morada
se encher de sanduíche e cevada
sob as dobras do lençol.

Tadinho do meu querer!
Alguém avisa que é pra sempre carnaval...

terça-feira, março 4

sentimentos bolha de sabão

Postado por Ariana Fernandes às 21:36 1 comentários
Eu preciso de um abraço-abrigo
Eu preciso do teu abraço abrigo
Eu preciso passar o dedo no V do teu cabelo
e observar o caos se acalmar.
Sê inteiro
E me deixa beijar o teu inteiro
Falemos de amores
e paixões
e porquês
E assistamos ao espetáculo de dois arco-iris

quarta-feira, janeiro 15

desaba(fo)

Postado por Ariana Fernandes às 20:56 0 comentários
Diante de mim, mulher, não sou.
Não quero ser.
És pai da menina que fui
do sono que nunca velaste
e das lágrimas que nunca enxugastes.

És pai da dor da menina que fui.

Ah, como queria ser de novo menina em teus braços esporádicos
e me abandonar admirando tuas mãos.

Uma gaita
Uma bicicleta
Um cachorro
Um sorriso
preso em uma fotografia
no rosto de uma bailarina
que abraçava o pai.

Ninguém te ensinou os caminhos, bem sei
mas não podemos passar a vida
nos escondendo da dor.
Nem deixar um rastro de dor
por todos os nossos caminhos
Pois os fantasmas do passado
ah, meu bem, esses nunca nos abandona.

A entrega é necessária
E é essa a beleza dos encontros.
E eu tô cansada de pisar em ovos.

Obrigada, pai!
Por tudo que não me destes.

quarta-feira, janeiro 1

a esperança equilibrista

Postado por Ariana Fernandes às 20:05 2 comentários


Eu comprei flores e acendi incensos
Eu pus música
E assisti o vento convidar minhas cortinas para dançar
o Bolero de Ravel
E eu sai a dançar também
Com o sol e as estrelas
Com a lua
Mas não consegui alcançar a leveza.

Por mais que eu me estique
Por mais que eu corra
Por mais que eu chore
Ela se afasta de mim
E o que sobra é um nó[s]
bem no meio do sossego.

Eu vivo nesse lugar de coisas incríveis
que não acontecem. 
Enquanto isso, as coisas como são
acontecem sem mim.

Porque ele é esse compilado de complexos paradoxos
E tem o coração do tamanho dos meus sonhos
Com praia, cerca branca e jardins.

Mas por mais que eu me estique
Por mais que eu corra
Por mais que eu chore
Não consigo tocar.

E as flores, e os incensos
E o vento, e as cortinas
Nada disso tem sentido
Se não tem ele.

sábado, novembro 9

sangue

Postado por Ariana Fernandes às 16:47 1 comentários
Meu pai vai ter uma filha

Meu pai
que nunca me teve
vai ter uma filha.
Vai acompanhar uma gestação
que nunca foi a minha.
Vai ver nascer aquela
que nunca fui eu.
Vai aplaudir os primeiros passos
que nunca foram os meus.
Vai ouvir as primeiras palavras
que nunca foram as minhas.
'pa-pá'.
Vai acalentar pesadelos
que nunca soube serem meus.
Vai segurar a bicicleta
que nunca aprendi a andar.
Vai secar lágrimas
que nunca escorreram pelo meu rosto.
Vai dar conselhos melhores do que
"Você não tem amigos.
Vá na minha que é a boa"

Meu pai
que nunca foi meu pai
vai, agora, ser pai.

Isso quer dizer que
eu vou ter uma irmã...
Eu vou ter uma irmã!
Que me importam as babaquices
e infantilidades
e cobranças
e magoas
e ausências?
Eu vou ter uma irmã, porra!

Peço a Deus
e aos astros,
aos santos
e a todos os orixás,
e a qualquer ser mistico, e divino,
e supremo, e maior que eu,
que me permita ter, de fato,
uma irmã!

Eu quero rolar na grama
com um coração que faz parte do meu.
Eu quero ensinar as caretas mais legais.
Eu quero segurar na mão pra atravessar a rua.
E eu quero que seja a mim que ela confesse
os mais vis segredos adolescentes.
Porque eu sou irmã, e cúmplice.
E eu vou amar
muito
porque eu já  amo.

Meu pai vai ser pai.
Mas se ele vacilar de novo,
ela vai ter uma irmã!

quinta-feira, outubro 10

Prece

Postado por Ariana Fernandes às 16:56 1 comentários
Deus
você conhece a minha capacidade de sonhar
mesmo acordada.

Eu fecho meus olhos e vejo.
A minha própria imagem
sentada em minha cama
com um livro no colo
lendo historias pra alguém
que eu não vi o sorriso ainda
que sequer tem sexo
mas que eu já amo tanto.

Eu consigo me ver passeando pelo parque
com o dobro do meu peso
aquelas roupas folgadas
a mão na barriga
cantarolando cantigas
de um mundo bom.

Eu sinto a alegria me invadir
quando uma mãozinha
tão linda e perfeita
segura o meu dedo
e aquele ser, que ainda é tão pequeno
se alimenta e se fortalece
da seiva que meu próprio corpo fábrica.

O mau-humor tão habitual
ao ser acordada inesperadamente
é substituído por um profundo afeto
ao ver uma criança
com cara de sono e lençol na mão
tão assustada por um pesadelo
se enfiar na minha cama.
E eu repito baixinho:
"Passou, meu anjo.
A mamãe tá aqui,
você tá em casa
e vai ficar tudo bem"

Meu coração se aperta
por meu bebê
já não ser um bebê
e eu engulo o ciume
e acalento suas primeiras dores adolescentes
suas primeiras lágrimas de amor.

É Domingo
meu rosto já não é mais o mesmo
minha casa já  não é mais a mesma
a mesa está posta
passei a manhã preparando
a sala, a mesa, o coração
a família da minha família
a minha família
vem almoçar.
Minha casa se encher de alegrias
e eu passo a tarde a estragar meus netos
e ensinar-lhes novas caretas.

Deus
Você é meu amigo, porra!
E eu tento, apesar de
todas as agruras da vida
ser o melhor que eu posso...

Deus
Por favor

Deus,
não me faz seca.
Desértica.

Deus,
Eu imploro

Deus
Não tire minha capacidade de gerar!


quarta-feira, outubro 9

declaração

Postado por Ariana Fernandes às 23:36 0 comentários
O medo tem alguma utilidade, mas a covardia não.
 Mahatma Gandhi


Não é quem ele é, mas quem ele representa.
Foi por ele que eu desci ao inferno
Foi por ele que eu descobri que faz frio no fundo do poço.
Foi por ele, e só por ele, que eu bebi, e fumei, e chorei, e gritei.
Mas foi a ele, e só a ele, que eu amei!

O homem de lata ganhou um coração
e descobriu seus humanos sentimentos.
O homem de lata ta feliz,
e na fotografia, me sorri
pleno (?)
O homem de lata não existe mais.
E eu não sei mais qual é o personagem
Embora eu conheça o homem
e os olhos.
Eu não quero mais ser aquela
personagem, pessoa menina.
Mas eu já não sou.

Quero desbravar cervejas
e rasgar sorrisos
e colher conversas gostosas
Mas eu tenho medo.
Eu tenho medo...
"Agora. Mas tem que ser agora!"
Tornei a ouvir
e tremi, como se fosse ontem.
E eu não fui.
E eu sou agora personagem,
o personagem que não foi.
E ficou, parado, vendo as letrinhas subirem.
E o livro ser fechado.

E eu tenho medo.

Medo...

segunda-feira, setembro 23

[e]ternamente cultivado

Postado por Ariana Fernandes às 01:09 0 comentários
O coração é terra que ninguém vê. E dói.
Dói se sentir tão pequena,
quando sei que existem inúmeros mundos dentro de mim.
Invisível.
Quando eu era pequena e me sentia triste gostava brincar de ser invisível.
E me trancava no guarda-roupa.

E aí agora eu era a princesa do reino das águas-claras.
E aí agora eu era uma guerreira medieval.
E aí agora eu era uma super-heroína, com capa e tudo.

Agora o guarda-roupa encolheu.
Não cabe nem minhas roupas, imagine os meus sonhos...

Um dia me perguntaram por que eu me calo, e eu disse:
não, é só um grito.
Um anjo me falou que você se acostuma e vai vivendo.
É só?

A maneira como suportamos o vazio é o que determina se merecemos que ele se encha...

Nerdice Metalinguística

Postado por Ariana Fernandes às 01:07 0 comentários
Há uma linha tênue entre ilusão e realidade.
Homens podem sim voar
só não digam que isso parte de uma mente doentia.
Em clínicas há jardins.
Pássaros.
Borboletas.
O céu de Ícaro tem mais poesia que o de Galileu.
Ícaro, maluco, espera por mim.
Escrevo nos ares
com a tinta invisível dos sonhos.
Poderia escrever no teu corpo
aí dava pra apagar com a língua.
E eu faço questão de errar.
Tenho uma dupla personalidade
entre a ruiva boazinha e a Fênix.
Dupla personalidade = Esquizofrenia
Seria melhor se a gente pudesse viver o gibi...
Wolverine que era macho, man.

domingo, setembro 15

Foice

Postado por Ariana Fernandes às 21:58 0 comentários
Meu corpo tá te expurgando
Vômito
Febre
Suor
Você está saindo de mim
Por cada poro
onde antes havia plantado uma flor.
Meu coração sangra
E você, e rímel
escorrem por meu rosto.
Eu queria saber cruzar o seu deserto frio e lógico
Mas meu estômago ronca
E eu tô com fome de horizonte.
Eu odeio. E amo.
E odeio todas essas confusões bem resolvidas.
A solidão não é o mal dos séculos
Disto é a frieza responsável
Os pássaros migram no inverno...
É um outro dia.
É uma outra noite.
E eu choro.
E eu vomito.

quarta-feira, setembro 11

E por falar em saudade...

Postado por Ariana Fernandes às 22:50 1 comentários


Traz teu mar pro interior do meu sertão
Porque eu acho que é
motivo, razão, resposta
Tão eu fora de mim
E no final é só o que importa.
Né?
Ou não?
Quem, além de nós, poderá saber?
Se sou eu que amo teu caos
E o modo pateticamente lindo que você dança
E a pressão que a sua 'saboneteira' faz no meu rosto
quando eu quero me perder no seu abraço,
sem perceber que já me perdi
nos teus olhos
no teu sorriso
na tua voz
broto
maluco
O Meu Bem.
Se sou eu
(e só eu)
que não consigo dormir
imaginando...
E Vinicius não ajuda
Dizendo no meu ouvido o que sentir
Na noite, nos bares
Onde anda você?


sábado, setembro 7

pra você dar o nome

Postado por Ariana Fernandes às 21:18 1 comentários
eu não queria saber.
não queria!
nunca tinha pensando
em teu sorriso
emaranhado em outro sorriso
porque, desde a primeira vez 
que te vi
te quis
e desde então
você leva meu querer 
em teu bolso

sexta-feira, julho 19

bonfim

Postado por Ariana Fernandes às 00:02 0 comentários
Por fim sobraram alguns poucos cigarros sujos, uma vodka escondida no guarda-roupa e algumas palavras aprisionadas. O que tenho de melhor são elas: as palavras. Mas não as uso sempre. Guardo-as dentro de um quarto escuro, com a porta trancada e sem nenhuma janela. As vezes, vou até esse quarto e me tranco lá dentro. Eu e as palavras. Reviro-as, e vejo as que mais me agradam. Elas me dizem boas ilusões. E quase acredito no que elas insistem em sussurrar no meu ouvido. Ali, dentro desse quarto, sou o que quero ser. Sedenta pelo vício de ser tudo, sou rica de poesia. Sou o amor perdido. Sou o verso indeciso. Os cinzeiros cheios e o copo de bebida vazia. Sou a moça que chora na esquina. A mentira contada no pé do ouvido. A voz que grita no telefone. Sou o bandido sedento por roubar amor. Sou o desespero e principalmente o caos. Sou ninguém, e ao mesmo tempo sou todo mundo. Sou inclusive Você. Com seus fantasmas, e sua dor baixinha entre os cobertores na madrugada vazia. Sou o seu trabalho, as suas frases feitas, o ar que você respira e a sua insônia. Você é as cores e eu sou o cinza que te mancha. Ou vice-versa. Sou a sua música preferida, a sua nostalgia. Sou você, e você sou eu. Em frações de segundos você não é nada além de mim e eu sou tudo. Eu sou o mundo. Sou o texto, e sou a mão manchada de tinta esfregando um vocabulário imundo na cara de quem lê. E através desse quarto onde guardo essas palavras, sou nada além de alguém com alguns poucos cigarros sujos, um resto de vodka, algumas palavras aprisionadas e alguns passos pra lugar nenhum. Sou também o fim.


Enfim...

domingo, abril 28

Postado por Ariana Fernandes às 19:49 2 comentários

Eu não vou dizer o que eu quero dizer
Pois não cabe

Mas não vou me calar
É madrugada

[...]

Foi só você sorrir
e eu aprendi a torcer
e enlouquecer quando é jogo do Timão

Foi só você sorrir
pra fazer o mundo parar de girar
em um show do Cabruêra

Foi só você sorrir...

Eu vou buscar a lua
pra combinar com as duas estrelas dos teus olhos
É só você sorrir

Vou segurar tua mão com tanta força
pra ninguém nunca mais ter que partir
É só você sorrir

Vou decorar esses versinhos pobres
e escrever na tua porta com giz
É só você sorrir

É só você sorrir...

segunda-feira, abril 22

Compasso

Postado por Ariana Fernandes às 20:29 1 comentários
Tic Tac Tic Tac

Observo
os teus passos compassados
Um segundo, um tic
Mais um, um tac
Bem ali, só o eco da batida
Verdade?

Tum Tum Tum Tum Tum Tum

- Alô?
-Tá ocupado!
- Então tá, amigo...

Tum Tum Tum Tum Tum

Será sempre meio metade?
Entrego-me ao tempo

Tic Tac Tic Tac Tic Tac

[...]